NO MARTINS E ÍRIS HELENA ENCERRAM RESIDÊNCIA EM SALVADOR COM A EXPOSIÇÃO “ZONAS LIMÍTROFES”, NO INSTITUTO GOETHE-BAHIA

A exposição coletiva “Zonas Limítrofes” marca o encerramento de mais um ciclo do Programa de Residência Artística Vila Sul, do Instituto Goethe de Salvador, Bahia. Ocupando as duas galerias do instituto, a mostra tem curadoria de Tiago Sant’Ana e reúne obras inéditas – criadas durante a residência – dos nossos artistas representados Iris Helena e No Martins, e também do artistas Rafael BQueer e Ventura Profana.

No Martins apresenta uma série de trabalhos que abordam a questão do superencarceramento e de como a população negra e pobre é vítima do sistema penal brasileiro. A instalação “Modus operandi da justiça penal” parte do dito popular “A corda sempre arrebenta do lado mais fraco” para discutir o acesso à justiça, a morosidade dos julgamentos e a normatização da violência policial através de um senso punitivista da população no Brasil. Já as duas telas, “Contrariando as estatísticas” e “Suas amarras não me prendem“, dialogam sobre formas de resistência contra essa estrutura da justiça penal. O artista também realizou a performance “Aos que se foram, aos que aqui estão e aos que virão” – na Praça do Mercado Modelo, em Salvador -, que é resultado de sua pesquisa sobre a rota escravocrata a partir do Porto de Luanda, em Angola.

Já Íris Helena, apresenta “Memorabilia”, em que funde memórias individuais com vivências coletivas a partir de fotos pessoais de diferentes famílias que foram estragadas pelo tempo. Na medida em que a artista justapõe diferentes arquivos com distintos panos de fundos e pontos de partida, há uma criação de um material híbrido, um novo objeto, dotado de sombras que se complementam ou se eclipsam, unidas pela deterioração do clima tropical. O desvanecer das imagens fotográficas impressas, muitas vezes atacadas por umidade e fungos, se assemelha ao exercício da memória nos trópicos: ela é formada a partir de ruínas históricas, do apagamento de narrativas, mas que continuam existindo em vestígios. Nesse caso, a artista se torna uma arqueóloga, porém cria uma outra forma de fruir o material fotográfico, compondo um novo repertório visual. O vídeo “Às mãos negativas”, também exposto, documenta a ação criativa.

A mostra fica em cartaz até 6 de novembro, no Instituo Goethe-Salvador. O horário de visitação (gratuita) é de segunda à sexta-feira, das 11 às 17h. Mais informações, por aqui.

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©Portas Vilaseca Galeria.